sexta-feira, 19 de setembro de 2008

LAGOA DO GAUDÊNCIO


Grupo de Reizado de Lagoa de Gaudêncio

A iniciativa tem como foco manter viva uma manifestação cultural com mais de 80 anos de
existência – o grupo de reizado de Lagoa de Gaudêncio –, que se agrega às práticas de lazer e
cultura de Lagoa de Gaudêncio, a 14 quilômetros de Lapão, uma comunidade remanescente de
quilombo. Tendo como espaço a própria escola, as diferentes gerações se reúnem para
atividades socioeducativas e para as práticas da capoeira, candomblé, variações do maculelê e
do samba de roda, lá chamado de mamãe-calú. Mais de 10.000 pessoas tiveram acesso às
apresentações em 2006.
Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Lapão, BA, 1924Local em que se desenvolve a iniciativa: Lapão/BASecretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Lapão, BA, 1924Local em que se desenvolve a iniciativa: Lapão/BA

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

IDENTIDADE

vIdentidade cultural é o sentimento de identidade de um grupo ou cultura, ou de um indivíduo, na medida em que ele é influenciado pela sua pertença a um grupo ou cultura.
Identidade é a igualdade completa. Cultural é um adjetivo de saber. Logo, a junção das duas palavras produz o sentido de saber se reconhecer. Todos nós já nascemos com uma identidade própria, a identidade de gênero, ou seja, masculino e feminino, que possui uma característica própria e incontestada.
Um exemplo da consistência dessa identidade é o fato de que quando vemos uma gestante logo ficamos curiosos em saber se aquele novo ser é menino ou menina. O fato é que biologicamente a criança nascerá com uma dessas identidades (masculina ou feminina) e morrerá com a mesma.
Já as demais identidades (cultural, religiosa, etc), as chamadas identidades subjetivas, são totalmente flexíveis, pois podem ser facilmente influenciadas. Retomando o exemplo do bebê, ele poderá nascer numa família de cristãos católicos, ser educado segundo os dogmas da religião, mas ao tornar-se adulto, decidir-se por outra religião, como a protestante, ou muçulmana ou ao contrário.
Na identidade cultural isso não é muito diferente, isto é, a influência do meio modifica totalmente um ser já que nosso mundo é repleto de inovações e características temporárias, os chamados "modismos". Uma pessoa que nasce em um lugar absorve todas as características deste, porém se ela for submetida a uma cultura diferente por muito tempo ela adquirirá características do local onde está agregada.
No passado as identidades eram mais conservadas devido à falta de contato entre culturas diferentes; porém, com a globalização, isso mudou fazendo com que as pessoas interagissem mais, entre si e com o mundo ao seu redor.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Identidade_cultural"
Categorias: Antropologia Geografia cultural
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Discurso e Imagem: perspectivas de análise do não verbal(1)

Ciberlegenda Número 1, 1998

Discurso e Imagem: perspectivas de análise do não verbal(1)
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Tania C. Clemente de Souza
taniaccs@esquadro.com.br

Resumo
Desenvolver, no âmbito da Análise do Discurso (escola francesa), perspectivas voltadas ao estudo da imagem (fílmica, fotográfica, artística, gráfica, publicitária, etc) em sua materialidade, no caso, o não verbal. Discutir a questão relativa à materialidade da linguagem (verbal e não-verbal), visando à formulação de um campo novo de descrição e análise do não-verbal, aquele que não vai pressupor, em primeira instância, o repasse do não-verbal pelo verbal. Descartando-se, assim, pressupostos outros como os oriundos da Lingüistica e da Semiologia no estudo da imagem, formula-se o conceito de policromia, base de análise da imagem.
Abstract
We intend to develop studies in the ambit of Analysis of Discourse (french school) about the image (movie, photographie, arts, publicity, and so on) on its own materiality, i.e., the nonverbal, aiming to reach a new descriptive and analytic field in the study of the nonverbal language: that one that will have not as a point of departure the translate of the nonverbal signs into verbal ones. So, we abandon others concepts as that ones that come from the Linguistics ans Semiotics and we formulate the concept of polychromy, the basis of the image analysis.
Palavras-chave: estudo da imagem/ imagem e discurso/ policromia/

Introdução
O objetivo principal deste trabalho é desenvolver, no âmbito da Análise do Discurso (escola francesa), perspectivas voltadas ao estudo da imagem (fílmica, fotográfica, artística, gráfica, publicitária, etc) em sua materialidade, no caso, o não verbal.
Em termos teóricos, discute-se a questão relativa à materialidade da linguagem (verbal e não-verbal), visando à formulação de um campo novo de descrição e análise do não-verbal, aquele que não vai pressupor, em primeira instância, o repasse do não-verbal pelo verbal.
Essa diretriz coloca a Análise do Discurso em oposição a outras disciplinas do campo da Lingüística e à própria Semiologia, no que se refere, em particular, ao processo de significação e à definição de linguagem. Esta, pensada em duas dimensões, abarca o plano do verbal e do não-verbal, entretanto, nos estudos do não-verbal, tem-se como recorrente a compreensão do não-verbal perpassado pela linguagem verbal.
A partir de uma análise genérica dos processos significativos de imagens em diferentes veículos, pretende-se mostrar como nos meios de comunicação (cinema, televisão, mídia imprensa, dentre outros) a imagem significa (em termos ideológicos) diferente, tendo ora o status de linguagem, ora o de cenário ou ilustração.

Imagem e Interpretação

No estudo sobre o silêncio, Orlandi (1993) observa que os mecanismos de análise que apreendem o verbal através do não-verbal revelam um efeito ideológico de apagamento que se produz entre os diferentes sistemas significantes, dando sustentação, dentre outros, ao "mito" de que a linguagem só pode ser entendida como transmissão de informação, ou como sistema para comunicar. O que leva, por um lado, a estabelecer uma relação biunívoca entre um objeto determinado (verbal ou não-verbal) e o seu sentido e, por outro, a trabalhar não com a materialidade significativa de cada linguagem em si mesma mas, sim, com a tradução do não-verbal em verbal, mascarando as diferenças, a especificidade de cada uma das formas da linguagem. Os estudos sobre as formas do silêncio vêm a um só tempo contribuir tanto à compreensão da materialidade do não-verbal, quanto à ampliação do objeto da Análise do Discurso, ao apontar caminhos para se descrever e entender o não-verbal.
Em termos teóricos, toda essa discussão vem sendo, de certa forma, pontuada nos trabalhos que se voltam para a Análise do Discurso. Em termos práticos, porém, poucos são os trabalhos, nesta área teórica, que tomam o não-verbal como objeto empírico de análise.
Sobre o processo de significação da imagem, as discussões estão, em geral, restritas a duas vertentes principais: ou se toma a imagem da mesma forma como se toma o signo lingüístico, discutindo-lhe as questões relativas à arbitrariedade, à imitação, à referencialidade(2), ou se toma a imagem nos traços específicos que a caracterizam, tais como extensão e distância, profundidade, verticalidade, estabilidade, ilimitabilidade, cor, sombra, textura, etc, buscando-se a definição de que modo se dá a apreensão (ou leitura?) da imagem naquilo que lhe seria específico (cf.: KLEE, 1973 e DAVIDSON, 1984).
No primeiro caso, já observamos acima que, ao se entender o não-verbal através do verbal, ocorre um reducionismo na própria conceituação de linguagem (verbal e não-verbal), por o ser esta pensada com relação ao signo lingüístico. No outro caso, a relação com o lingüístico cede lugar à relação com os traços da imagem entendidos a partir de um "olhar técnico" (cf.: AUMONT, 1993, dentre outros). Em ambos os casos, acaba-se por se propor para o estudo do não-verbal uma descrição formal da imagem, não entrando em pauta a materialidade significativa da imagem na sua dimensão discursiva. Ou seja, não se disutem nem os usos que vêm sendo feitos - como na mídia, por exemplo - da imagem, nem as possibilidades de interpretação da imagem social e historicamente determinadas.
Ao se pensar a imagem através do verbal, acaba-se por descrever, falar da imagem, dando lugar a um trabalho de segmentação da imagem. A palavra fala da imagem, a descreve e traduz, mas jamais revela a sua matéria visual. Por isso mesmo, uma "imagem não vale mil palavras, ou outro número qualquer". A palavra não pode ser a moeda de troca das imagens (Davidson, 1984). É a visualidade que permite a existência, a forma material da imagem e não a sua co-relação com o verbal.
A não co-relação com o verbal, porém, não descarta o fato de que a imagem pode ser lida. Propriedades como a representatividade, garantida pela referencialidade, sustentam, por um lado, a possibilidade de leitura da imagem e, por outro, reafirmam o seu status de linguagem.
Não porque, dadas essas propriedades, a se diga que a imagem também informa, comunica, e sim porque - em sua especificidade - ela se constitui em texto, em discurso. E nesse ponto, retomando a distinção (apontada em FREGE) entre expressão (sentido) e designação (referência), sublinhamos que falar dos modos de significação implica falar também do trabalho de interpretação da imagem, procurando entender tanto como ela se constitui em discurso, quanto como ela vem sendo utilizada para sustentar discursos produzidos com textos verbais.
Enfim, procuramos entender como uma imagem não produz o visível; torna-se visível através do trabalho de interpretação e ao efeito de sentido que se institui entre a imagem e o olhar(3). Um olhar que trabalha diferente quando da leitura da imagem(4). Enquanto a leitura da palavra pede uma direcionalidade (da esquerda para a direita), a da imagem é multidirecionada, dependendo do olhar de cada "leitor".
O trabalho de interpretação da imagem, como na interpretação do verbal, vai pressupor também a relação com a cultura, o social, o histórico, com a formação social dos sujeitos. E vai revelar de que forma a relação imagem/interpretação vem sendo "administrada" em várias instâncias.

Implícito, silêncio e imagem
A noção de implícito formulada em Ducrot (1972) prevê modos de expressão implícita, que permitem deixar entender sem ficar a descoberto a responsabilidade de se ter dito. Ou se expressar de tal forma de modo que a responsabilidade do dizer possa ser recusada.
Orlandi (1989) observa que a noção de silêncio não pode ser confundida com o implícito. Ao contrário do implícito (não-dito), que significa por referência ao que foi dito, o silêncio não precisa ser referido ao dizer para significar. O silêncio significa, não fala. Nesse sentido, a autora reafirma que a matéria significante do silêncio é diferente daquela da linguagem verbal. E, ao promover, assim, o decentramento da linguagem verbal, abre à discussão as diferentes formas do silêncio no processo de significação. (ORLANDI, 19 e 19)
Com a imagem não é diferente, há imagens que não estão visíveis, porém sugeridas, implícitas a partir de um jogo de imagens previamente oferecidas. Outras são apagadas, silenciadas dando lugar a um caminho aberto à significação, à interpretação.
No cinema, por exemplo, há elementos de imagem que sugerem a construção - pelo espectador - de outras imagens. Esses elementos, muitas vezes, são sugeridos pelo ângulo e movimento da câmara (quase sempre associado à sonoridade (música, ruído), ou à própria interrupção do som), ou pelo jogo de cores, luzes, etc. São elementos implícitos que funcionam como índices, antecipando o desenrolar do enredo. O trabalho de compreensão do espectador passa, assim, pela inferência dessas imagens (sugeridas) que atribuem ao texto não-verbal o caráter de sua heterogeneidade.
Quanto ao apagamento de imagens, este se dá de formas diferenciadas. No cinema, por exemplo, o silêncio no âmbito da imagem pressupõe a ausência total de qualquer elemento visual que leve à inferência de qualquer fato. Isso deixa o enredo em termos de estrutura discursivo-visual em aberto, sem desfecho. Em LIMITE, filme de Mário Peixoto (1938), a concepção em imagens do filme não nos oferece nenhum dado visual que leve à afirmativa de que a última personagem tenha morrido em alto mar. A cena final apresenta a mulher boiando agarrada a um pedaço de madeira, a luz do sol incide em seu rosto e a partir da fusão dessa claridade com a do sol refletindo em um ponto vazio no mar, o filme termina. Não se pode dizer que se tem aí a imagem implícita, ou sugerida, da morte da mulher. O implícito seria mostrar, talvez, o pedaço de madeira boiando sozinho, ou qualquer outro vestígio.
Queremos deixar claro que ao diferenciar o implícito e o silêncio no trato com as imagens, estamos apontamos mecanismos discursivos de se construir o texto não-verbal. Porém, não queremos dizer com isso que no trabalho de interpretação desse texto não se possa pressupor, como no exemplo acima, que o espectador deduza a morte da personagem. Entretanto, chamamos a atenção para o fato de, em termos de textura visual, a ausência (ou silêncio) de imagens deixa em aberto a conclusão a respeito do desfecho da personagem, abrindo a possibilidade de outras leituras do filme. Fato que seria diferente, caso algum elemento de imagem ( implícita) sugerisse este desfecho.
Uma outra forma de se silenciar a imagem é aquela que pode ser pensada através de um trabalho de interpretação, operado na mídia, quando esta se interpõe entre o espectador e a imagem num processo de produção de significação bastante direcionado. O que ocorre, então, é um processo de paráfrase(5), através do qual se determina - através de textos verbais uma disciplinização na interpretação da imagem. A complexidade de um conjunto de imagens distintas se reduz a um processo de interpretação uniforme e um sentido (que se quer) literal se impõe. Reduz-se a imagem a um dado complementar, a acessório (ou cenário), destituindo-lhe o caráter de texto, de linguagem, uma vez que a imagem, ao ser traduzida através da sua verbalização, se apaga como elemento que pode se tornar visível. É o verbal que se superpõe ao não-verbal.
Para ilustrar esse processo de parafraseamento de imagens, muitos são os exemplos presentes na televisão brasileira. Nos telejornais, por exemplo, quando se mostram imagens cedidas e editadas por outra emissora, ou quando as imagens produzidas pela própria emissora são por demais "visíveis", entra em cena o comentarista, em geral tido como especialista em política, em economia, esporte, etc que conduz a interpretação, oferecendo a leitura dos fatos segundo o ponto de vista da emissora, que se coloca no papel de juiz ao atribuir às imagens mostradas juízos de valor e, ao mesmo tempo, fazendo uma (re)leitura de tudo que fora exibido. As imagens são apagadas por um processo de verbalização, de paráfrase, porque reproduzem um determinado enfoque.
Uma das razões que possibilita à TV esse trabalho de interpretação pode residir no fato de que, diferente do cinema, a televisão é um veículo que pode, boa parte do tempo, ser ouvida, sem prejuízo à apreensão do que nela se transmite. Isso porque, quase sempre, ouve-se uma voz relatando tudo aquilo que está sendo mostrado. Nesse caso, há de ser repensado o status do telespectador enquanto "testemunha do mundo"(Fecé, 1997). O espectador de TV é privado de sua autonomia no trabalho de interpretação, quando a voz de um locutor realiza o trabalho de leitura e interpretação(6).
Em programas de teor humorístico se dá o mesmo processo de interpretação de imagens. Quando entra em cena um ator, caracterizado como deficiente físico, mendigo, pessoa gorda, feia, homossexual, etc escuta-se uma gravação de risadas conduzindo a predisposição favorável do espectador àqueles quadros. Ou, como no caso de programas que envolve a exposição de pessoas na rua, e até mesmo no auditório, em cenas ridículas, grotescas - quando se "topa tudo por dinheiro"; as atitudes mostradas nessas cenas são definidas como engraçadas, corajosas, audaciosas, pela voz em off do apresentador que impõe, de forma autoritária, um sentido às mesmas. Por essa perspectiva, as imagens não significam por si, enquanto imagens que são. A visibilidade do conteúdo negativo que as mesmas veiculam acaba ofuscada pela forma como são verbalizadas.
Na mídia impressa, não é diferente. A composição entre a chamada da notícia, a foto, cuidadosamente escolhida a partir de um determinado ângulo e a legenda que acompanha a foto produzem um tipo de texto que, quase sempre, está em dissensão com a redação da notícia propriamente dita. Trata-se de considerar aqui um texto visível a partir do efeito de diagramação que funciona como chamariz, estando o mesmo quase sempre fora de sincronia com a redação da notícia que o acompanha.
À guisa de ilustração, pode-se lembrar aqui as famosas fotos do ex-presidente Jânio Quadros, sempre de pernas tortas, roupas amarrotadas, cabelos desalinhados que em nada pareciam combinar com as suas declarações de como governaria o Brasil.
Um exemplo mais recente pode ser encontrado num jornal que anunciava que o Presidente da República reunido com o seu Ministério - fato mostrado na foto - decidira sobre o aumento de salário do funcionalismo federal (legenda da foto). A decisão era manter por mais um ano (ou mais tempo se necessário for) os salários congelados, considerando-se a atual estabilidade da economia, fato redigido no corpo da notícia. Ou seja, a visibilidade do fato apontava para uma leitura positiva sobre a correção dos salários, leitura imediatamente descartada ao se ler o texto verbal. Aqui também, podemos falar de um trabalho de uma condução dos sentidos, não com relação ao fato-notícia propriamente dito, e sim com relação a um trabalho de especulação que visa à venda do jornal. De qualquer forma, o que também está em jogo aí é um processo de silenciamento da imagem do ponto de vista ideológico. Processo que vem revelar que a mídia, muitas vezes, trabalha com a redução do não-verbal ao verbal, dando lugar a um efeito de transparência, de objetividade da informação.

Polifonia e policromia(7)
O conceito de polifonia (DUCROT, 1980) pressupõe que todo texto traz em sua constituição uma pluralidade de vozes que podem ser atribuídas ou a diferentes locutores, caso dos discursos relatados, ou a diferentes enunciadores, quando se atesta que o locutor pode se inscrever no texto a partir de diferentes perspectivas ideológicas. Dentro dessa perspectiva, é que se define o dito e o não-dito (a voz implícita).
Essas vozes imprimem ao texto o caráter de heterogeneidade, definido por Authier (19) como heterogeneidade(s) enunciativa(s). A Análise do Discurso tem como meta pontuar essas heterogeneidades.
Como já dissemos acima, o texto de imagens também tem na sua constituição marcas de heterogeneidade, como o implícito, o silêncio, a ironia. Marcas, porém, que não podem ser pensadas como vozes, porque analisar o não-verbal pelas categorias de análise do verbal implicaria na redução de um ao outro. Nesse caso, por associação ao conceito de polifonia, formulamos o conceito de policromia (Souza, 1995) buscando analisar a imagem com mais pertinência.
O conceito de policromia recobre o jogo de imagens e cores, no caso, elementos constitutivos da linguagem não-verbal, permitindo, assim, caminhar na análise do discurso do não-verbal. O jogo de formas, cores, imagens, luz, sombra, etc nos remete, à semelhança das vozes no texto, a diferentes perspectivas instauradas pelo eu na e pela imagem, o que favorece não só a percepção dos movimentos no plano do sinestésico, bem como a apreensão de diferentes sentidos no plano discursivo-ideológico, quando se tem a possibilidade de se interpretar uma imagem através de outra.
Por isso, a policromia revela também a imagem em sua natureza heterogênea, ou melhor, como conjunto de heterogeneidades que, ao possuírem uma co-relação entre si, emprestam à imagem a sua identidade. Essa co-relação se faz através de operadores discursivos não-verbais: a cor, o detalhe, o ângulo da câmara, um elemento da paisagem, luz e sombra, etc, os quais não só trabalham a textualidade da imagem, como instauram a produção de outros textos, todos não-verbais.
Ao se interpretar a imagem pelo olhar - e não através da palavra - apreende-se a sua matéria significante em diferentes contextos. O resultado dessa interpretação é a produção de outras imagens (outros textos), produzidas pelo espectador a partir do caráter de incompletude inerente, eu diria, à linguagem verbal e não-verbal. O caráter de incompletude da imagem aponta, dentre outras coisas, a sua recursividade. Quando se recorta pelo olhar um dos elementos constitutivos de uma imagem produz-se outra imagem, outro texto, sucessivamente e de forma plenamente infinita.
A interpretação do texto não-verbal se efetiva, então, por esse efeito de sentidos que se institui entre o olhar, a imagem e a possibilidade do recorte, a partir das formações sociais em que se inscreve tanto o sujeito-autor do texto não-verbal, quanto o sujeito-espectador.
O conjunto de elementos visuais possíveis de recorte - entendidos como operadores discursivos - favorece uma rede de associações de imagens, o que dá lugar à tessitura do texto não-verbal. A apreensão dessas relações, por sua vez, revela o discurso que se instaura pelas imagens, independente da sua relação com qualquer palavra.
O discurso, no caso, deixa antever o trabalho de um sincretismo de imagens (rede de associações) de caráter ideológico. Trata-se, então, como já referimos anteriormente, da possibilidade de falar de implícitos no âmbito da imagem. As imagens implícitas funcionam como pistas, favorecendo a compreensão das associações de ordem ideológica (o discurso), ou favorecendo a compreensão da narratividade de uma publicidade, filme, etc, sem se ater exclusivamente ao verbal, mas buscando uma articulação num plano discursivo não-verbal e revelando a tessitura da imagem em sua heterogeneidade.

Conclusão

O estudo da imagem, como discurso produzido pelo não-verbal, abre perspectivas comumente não abordadas nas análises mais recorrentes. Abre-se a possibilidade de entender os elementos visuais como operadores de discurso, condição primeira para se desvincular o tratamento da imagem através da sua co-relação com o verbal e de se descartarem os métodos que "alinham o verbal pelo não-verbal. Este trabalho é, por enquanto, apenas um ponto de partida.

Bibliografia
Authier, J. 1980 Heterogeneidades enunciativas (xerox)
AUMONT, J. A imagem. Campinas, SP. Papirus,1993
BARTHES, R. Leçon. Paris, Seuil, 1978
BARTHES, R. A Câmara Clara, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984
BARTHES, R. O Óbvio e o Obtuso, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1990
BAUDRILLARD, J. O Sistema dos Objetos. São Paulo, Editora Perspectiva, 1989, 2.ed.
BENVENIETE, E. Problemas de Linguística Geral I. Campinas, UNICAMP Editora, 1988
DUBOIS, F. O ato fotográfico. Lisboa, Ed. Vega, 1992
DUCROT, O. O Dizer e o Dito. São Paulo, Pontes, 1987
DUREL, M. Science, on tourne! LE JOURNAL DU CNRS, n.70, 1995
ECO, H. A Estrutura Ausente. São Paulo, Editora perspectiva, 1991
GADET, F. et HAK,T. Por uma Análise Automática do Discurso, Campinas, UNICAMP Editora, 1990
MACHADO, A. A ilusão especular: introdução à fotografia. São Paulo, Brasiliense, 1984
MARANDIN, J-M. "Le langage en image". Le gré des Langues. Paris, Recherches Linguistiques, 1992
Orlandi, 1985 A linguagem e seu funcionmento. São Paulo, Vigília
ORLANDI, E. As Formas do Silêncio. Campinas, UNICAMP Editora, 1992
ORLANDI, E. "Efeitos do verbal sobre o não-verbal", Encontro Internacional da interação entre linguagem verbal e não-verbal", Brasília, março 1993
PASOLINI, P.P. "Gennariello: a linguagem pedagógica das coisas". Os Jovens Infelizes: Antologia de Ensaios Corsários, São Paulo, Brasiliense, 1990
PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso. Campinas, UNICAMP Editora, 1988
SOUZA, T.C.C. de. Imagem e Sentido, texto-apostila utilizado no curso ANÁLISE DO DISCURSO do Instituto de Artes de Comunicação Social, Niterói, primeiro semestre de 1995
SOUZA, T.C.C. de. Les Forrmes d'Ecriture e d'Oralité, Conferência realizada na Universidade Paris13, Paris, fevereiro de 1996
VILCHES, L. La lectura de la imagem. Buenos Aires, Paidos, 1991
1. Comunicação apresentada no 2º Colóquio Latinoamericano de Analistas Del Discurso, La Plata e Buenos Aires, agosto/1997.
2. VILCHES, 1991 localiza de forma pertinente os trabalhos que pautam a análise da imagem pelos estudos lingüísticos.
3. Mais adiante discutiremos como a relação entre a imagem e o olhar pode ser mediada pela fala (do outro) num trabalho de paráfrase da imagem.
4. Leitura aqui está sendo utilizada no sentido de decodificação, e não no sentido de interpretação.
5. O conceito de paráfrase pressupõe o reconhecimento do sentido dado pelo autor, num trabalho de reprodução.
6. Em trabaho em andamento discutimos de que forma a TV acaba por instituir a Memória da populaçãp - tanto pelo como Arquivo, quanto pela forma de interdicurso.
7. O radical -cromo- está sendo utilizado aqui com o sentido aproximado de cromolitografia, arte de estampar em relevo figuras coloridas. Recobre, portanto, o jogo de imagens, cor, luz e sombra, etc presentes às imagens.
Tânia C. Clemente de Souza é doutora em Linguística e professora do Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da UFF.

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ANALISE DO DISCURSO

I SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DE DISCURSO:
"Análise de Discurso e Michel Pêcheux – uma relação de nunca acabar"
UFRGS – Porto Alegre – 10 a 13 de novembro de 2003
APRESENTAÇÃO
Desejar, conceber e organizar este 1. Seminário de Estudos em Análise e Discurso (I SEAD), aqui em Porto Alegre, envolveu um grupo de analistas de discurso, entre professores e alunos, em torno de um projeto, não só de pesquisa, mas também de vida, de militância e de resistência teórica e política. E Michel Pêcheux é o nome que está no centro de toda essa preparação, determinando-a e impulsionando-a. Precisamente 20 anos após seu desaparecimento, Michel Pêcheux continua, aqui no Brasil, e para muitos de nós, cada vez mais presente, seu nome cada vez mais citado e sua teoria cada vez mais influente, refletindo e ressoando os constantes embates materializados pela relação entre a língua, a história e o sujeito. Isso ajuda a explicar o nome de nosso seminário: entre Pêcheux e a AD há uma relação de nunca acabar .
Nossa aspiração foi fazer desse I Seminário (o I SEAD), uma grande celebração em torno do fundador e principal formulador da análise do discurso da escola francesa. De certa forma, preparamos uma festa em torno de nosso homenageado, cujo pensamento foi e continua sendo decisivo para nossas vidas – do ponto de vista acadêmico, científico, mas também pessoal, pois sabemos quão
difícil e ilusório é tentar separar vida e trabalho, assim como na AD não há separação entre teoria e prática. Nós, que fazemos parte do grupo de estudos sobre discurso desta Universidade, deste Instituto e deste Programa de Pós-Graduação, queremos prestar um tributo a Michel, como seus amigos o chamavam, a Pêcheux, como o tratamos na estranha intimidade que se construiu em torno do homem, do filósofo, do intelectual e do militante de esquerda e político marxista.
O que nos moveu a realizar esse seminário foi um irrefreável desejo, uma invencível paixão e a uma grande aposta numa causa. Certamente sem esses postulados, sem esses fincados e fortes alicerces não teríamos logrado êxito nessa realização. Sabíamos que enfrentaríamos dificuldades de toda ordem, afinal vivemos e conhecemos muito bem o funcionamento das instituições públicas em nosso país e o tratamento que os diferentes governos que se sucedem costumam dar às coisas que se referem à educação superior brasileira. Mesmo assim, fomos surpreendidos e golpeados em nosso entusiasmo com duas grandes negativas de apoio: CAPES e CNPq negaram qualquer auxílio ao evento, sob alegações parecidas: "o encontro é digno de mérito mas..." e as reticências podem ser preenchidas por vários sentidos, que passam pelo teórico, pelo político e pelo pessoal. Se trazemos esse fato a público é como forma de denúncia à política que preside aos comitês de nossas principais agências de fomento e um apelo para que nossas associações, como Anpoll, Abralin, e nossos PPGs façam ecoar alto suas vigilantes e destemidas vozes. Nunca, porém, passou por nossa idéia desistir desse encontro; nós, membros da comissão
organizadora, Freda Indursky, Evandra Grigoletto, Heloisa Rosário, Noeli Lisboa e eu, tínhamos convicção que ele se realizaria e seria um sucesso, pois desde seu lançamento, as manifestações de adesão foram muitas e entusiastas; a cada inscrição, vinda muitas vezes de cidades e de grupos que nem conhecíamos, nosso ânimo se fortalecia. Se tantas pessoas anônimas, se tantos pesquisadores renomados, aqui queriam estar, assumindo todos os custos, é porque algo mais forte e de valor inestimável haveria de prevalecer.
Mas assim como tivemos surpresas negativas, tivemos também uma surpresa positiva vinda da nossa Fundação de Apoio à Pesquisa – a FAPERGS- dela não ganhamos tudo o que havíamos solicitado, mas ganhamos o suficiente para assegurar a passagem de um dos nossos convidados franceses (demorou o auxílio, chegou há poucos dias do início do evento, mas veio, e foi decisivo para manter intacta a proposta original da programação) e também confeccionar o presente CDROM.
Outra ajuda decisiva veio da Unicamp, do IEL, de seu PPG em Lingüística, na pessoa de sua coordenadora, profa.Mónica Zoppi Fontana e do prof. Eduardo Guimarães, dois grandes apoiadores que viabilizaram com essa parceria a vinda de outro convidado da França. Da nossa instituição – a UFRGS, de nossa Pró-Reitoria de Pesquisa, de nossa Unidade – o IL, de nosso Pós-Graduação, só temos agradecimentos a fazer, pela parceria, pela ajuda, pela adesão ilimitada, dentro das limitadas verbas de que dispõem. Tivemos ainda a parceria importante do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, na pessoa de seu diretor, prof. José Vicente Tavares dos Santos, garantindo a passagem de uma de nossas conferencistas.
Uma palavra ainda de agradecimento aos nossos patrocinadores – Livrarias da UFRGS, Ensaio, Sagra-Luzatto, Bamboletras; à Nestlé, com sua maravilhosa máquina ( e não é a do discurso), à água mineral natural ELAN, ao Banco Santander e ao Banco do Brasil. Certamente sem eles, muito do brilho e do sucesso do encontro não teria sido alcançado.
Por fim, numa saudação afetuosa a todos os participantes desse I SEAD ( primeiro de uma série, esperamos), permito-me um toque mais pessoal: ao ler pela primeira vez um verso de um poeta nosso – o grande Manoel de Barros – como epígrafe num trabalho de uma orientanda – lembrei-me automaticamente de Michel Pêcheux e acho que vocês aqui vão compreender por quê – o verso dizia assim – "tem mais presença em mim, o que me falta" .
Que a presença de Pêcheux entre nós ( e a sua falta) continue sempre forte, pulsante, vibrátil, entre nós, como uma relação de nunca acabar...
Maria Cristina Leandro Ferreira – Coordenadora geral do evento

PROJETO DE PESQUISA

.......................................................... 7
.............................................................. 9
QUE É PESQUISA ACADÊMICA ............................11
A PESQUISA NA INSTITUIÇÃO ..................................13
DE PESQUISA ..........................................15
de identificação ...........................................15
Tema .....................................................................15
Problema ...............................................................15
de termos do problema............................16
ou questões de pesquisa .........................16
...............................................................16
Justificativa...........................................................17
Abordagem teórica..................................................17
...........................................................18
Cronograma .........................................................19
Orçamento ...........................................................19
Referências bibliográficas .....................................20
consultada ........................................20
COMENTADA ...................................23
BIBLIOGRÁFICAS ...............................31
A - Roteiro de Plano de Atividades BIC ...........33
de Relatório de Atividades BIC ......34
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO
1 O QUE É PESQUISA ACADÊMICA
2 A PESQUISA NA INSTITUIÇÃO
3 PROJETO DE PESQUISA
3.1 Dados de identificação
3.2 Tema
3.3 Problema
3.4 Definição de termos do problema
3.5 Hipóteses ou questões de pesquisa
3.6 Objetivos
3.7 Justificativa
3.8 Abordagem teórica
3.9 Metodologia
3.10 Cronograma
3.11 Orçamento
3.12 Referências bibliográficas
3.13 Bibliografia consultada
4 BIBLIOGRAFIA COMENTADA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS
1 ANEXO A - Roteiro de Plano de Atividades BIC
2 ANEXO B - Roteiro de Relatório de Atividades BIC
6
7
APRESENTAÇÃO
Entendemos por pesquisa a atividade básica
da Ciência na sua indagação e construção
da realidade. É a pesquisa que alimenta
a atividade de ensino e a atualiza frente à
realidade do mundo. Portanto, embora seja
uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento
e ação. Ou seja, nada pode ser intelectualmente
um problema, se não tiver
sido, em primeiro lugar, um problema da vida
prática. As questões da investigação estão,
portanto, relacionadas a interesses e circunstâncias
socialmente condicionadas. São
frutos de determinada inserção no real, nele
encontrando suas razões e seus objetivos1 .
O conhecimento científico desenvolvese
com base na prática de pesquisas que adotam
procedimentos metodológicos rigorosos.
Para além do rigor formal, porém sem dispensá-
lo, esse tipo de conhecimento sempre contou
com importante dose de ousadia e de criação
por parte daqueles que o produzem.
O presente caderno trata de um roteiro
sobre como organizar a fase inicial da investigação
científica: a elaboração de um projeto de pesquisa.
O investigador poderá inspirar-se nele para
transformação de uma preocupação ou dúvida
em indagação intelectualmente elaborada.
1
MINAYO, Maria C. de S. Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1994, p. 17.
8
9
INTRODUÇÃO
O presente Caderno de Pesquisa tem
por finalidade orientar estudantes de graduação
e de pós-graduação na elaboração de
projetos de pesquisa. O roteiro proposto é resultado
do estudo de um grupo de professores
do UniRitter, objetivando contemplar diretrizes
do método científico e necessidades
concretas das áreas do conhecimento e dos
cursos na Instituição.
O caderno está organizado em quatro
partes. As duas primeiras partes tratam,
com brevidade, de características fundamentais
da pesquisa acadêmica, bem como da
pesquisa na Instituição. A terceira parte apresenta
o roteiro para elaboração de projeto de
pesquisa. Na quarta parte, sugere-se uma
bibliografia comentada sobre a pesquisa científica
e sobre a elaboração de projetos.
Por fim, são apresentados dois anexos.
O ANEXO A contém o Roteiro para elaboração
de Plano de Atividades do Bolsista,
quando a Bolsa de Iniciação Científica – BIC
- for derivada de um projeto de pesquisa docente.
O ANEXO B expõe o Roteiro para elaboração
de relatório de atividade de Iniciação
Científica, para casos em que esta for
10
2 O Regulamento da Pesquisa Institucional/UniRitter esclarece
que a atividade de Iniciação Científica pode ser de iniciativa
docente ou de estudantes, orientada, respectivamente, por
Professores na condição de Pesquisadores ou de Tutores. No
primeiro caso, o projeto de pesquisa deve ter sido proposto
pelo docente e o estudante participa com base no Plano de
Atividades específico. No segundo caso, o estudante propõe a
problemática de pesquisa, elaborando um projeto que tem por
base o roteiro apresentado neste Caderno.
oriunda de um projeto docente ou para situações
em que a iniciativa for do estudante2.
11
1 O QUE É PESQUISA ACADÊMICA?
A pesquisa acadêmica é a que tem por
base o método científico e caracteriza-se pela
produção desenvolvida na instituição universitária
(academia). Esse tipo de pesquisa definese
como um processo de busca de conhecimento
a partir de instrumentos e metodologias, com
a função de qualificar ou acrescentar novos
conhecimentos e pontos de vista sobre determinados
aspectos da realidade, tomados como
problemas de investigação.
A atividade de pesquisa científica, utilizada
como princípio educativo, pode ser um
recurso para a produção de aprendizagens em
sala de aula, desenvolvendo a compreensão de
disciplinas e conteúdos. Pode resultar em relatórios,
monografias, ensaios, entre outras modalidades,
qualificando o conhecimento acadêmico
do estudante.
Por outro lado, a pesquisa científica envolve,
precipuamente, a investigação sistemática,
exigindo aprofundamento teórico-metodológico,
com vistas a responder determinadas questões
que se oferecem como problemas à compreensão
de um fenômeno da realidade. Ela é uma
atividade fundamental para construção de conhecimentos
novos e para o ensino.
12
13
2 A PESQUISA NA INSTITUIÇÃO
O UniRitter investe na pesquisa porque
entende que a vida acadêmica cresce em
qualidade quando vincula ensino, pesquisa e
extensão. A pesquisa qualifica o ensino,
juntamente com a extensão, tornando-o
Educação Superior, já que ensinar é também
construir conhecimento.
A pesquisa no UniRitter é desenvolvida
em convergência com os focos dos cursos3 de
graduação e de pós-graduação. Os docentes
pesquisadores e os estudantes, na condição de
bolsistas de Iniciação Científica, desenvolvem
atividades de pesquisa em torno de temas que
contribuem para o aprimoramento da atividade
de ensino na Instituição.
A atividade de pesquisa na Instituição
está organizada em três modalidades, que possuem
como referencial comum a idéia de pesquisa
acadêmica. Pratica-se a pesquisa docente,
a iniciação científica e a pesquisa vinculada
ao ensino. A primeira consolida-se através de
linhas de pesquisa e dá continuidade à explo-
3 Foco do curso é o núcleo aglutinador em torno do qual se
organizam os conhecimentos privilegiados pelo curso e
articulados entre si, os quais relacionam-se diretamente com o
projeto pedagógico do curso.
14
ração de temáticas e metodologias que proporcionam
conhecimentos novos.
A iniciação científica permite a formação
inicial do estudante na prática de pesquisa.
É vinculada ao projeto de pesquisa docente
ou, num segundo tipo, pode ser proposta pelo
estudante, desde que esteja vinculada a atividades
de ensino desenvolvidas no curso de graduação.
Nesse caso, o orientador poderá ser
um professor-tutor.
A pesquisa vinculada ao ensino é desenvolvida
no âmbito da sala de aula e é entendida
como um princípio educativo e de construção
de conhecimentos por parte do estudante.
Nesse caso, privilegia-se o uso de metodologias
e de recursos da pesquisa acadêmica
para as atividades propostas em sala de aula,
culminando com prática de investigação e relatos
sobre o objeto investigado. A realização das
três modalidades de pesquisa permite avanços
expressivos na vida acadêmica da Instituição.
15
3 PROJETO DE PESQUISA
Na seqüência são apresentados os
elementos básicos que compõem um projeto de
pesquisa.
3.1 Dados de Identificação
Título
Autor
Curso
3.2 Tema ou assunto
A definição do tema é de fundamental
importância para dar o foco da investigação. A
partir da escolha do tema e sua posterior delimitação
a pesquisa passa a tomar corpo e estrutura.
A delimitação do tema é o enquadramento
do mesmo nas suas possibilidades operacionais.
Quanto mais delimitado o tema, mais
factível se torna e todo o desenvolvimento posterior
da pesquisa flui positivamente.
3.3 Problema
Também conhecido como ‘questão de
pesquisa’, o problema é o cerne da investiga16
ção. Tudo passa pela resposta ao problema. Entretanto,
formulá-lo não é fácil, é preciso ter conhecimento
preliminar do tema. Para formular
uma ‘questão de pesquisa’ é preciso, naturalmente,
conhecer o assunto para, inclusive, formular
as hipóteses que potencialmente vão responder
ao problema. Para tanto, o conhecimento
bibliográfico do tema é indispensável, bem como
a indicação da teoria que guiará a investigação.
3.4 Definição de termos do problema
Esclarece o significado dos termos do
problema, tomando por referência a abordagem
teórica.
3.5 Hipóteses ou questões de pesquisa
As hipóteses, mais utilizadas na pesquisa
quantitativa, são prováveis respostas ao
problema. As questões de pesquisa, próprias
dos estudos qualitativos, são perguntas desdobradas
a partir do problema formulado.
3.6 Objetivos
Dividem-se em geral e específicos. Referem-
se ao rumo da pesquisa ao indicar o que
17
se pretende investigar. O objetivo geral tem uma
visão panorâmica de todo o processo a ser percorrido.
Já os objetivos específicos, dado o seu
pluralismo, ocupam-se dos detalhes que, bem
conduzidos, auxiliam nas respostas ao problema
de pesquisa.
3.7 Justificativa
A justificativa esclarece por que fazer a
pesquisa e até onde ela pretende chegar. Justificar
significa elencar as razões que nos levam
a estudar algo, tendo como referência os
motivos individuais, os de interesse da ciência
e os de relevância social. Apresenta a discussão
da viabilidade operacional para o desenvolvimento
do projeto.
3.8 Abordagem teórica
A teoria consiste em um conjunto de
afirmações e princípios a partir dos quais algum
objeto pode ser compreendido de forma
ampla e coerente. A teoria está ligada à metodologia,
pois orienta o caminho da análise
e, em grande medida, condiciona os resultados,
embora não possa ser encarada como a
explicação completa e definitiva sobre aquilo
18
que se investiga. Ao contrário, a teoria é um
instrumento que serve para questionar, problematizar,
descobrindo sempre novos ângulos
de abordagem do objeto. Situar-se claramente
dentro de uma campo de referência
teórica é importante ao pesquisador para que
saiba das possibilidades e dos limites de sua
investigação.
3.9 Metodologia
A metodologia define o tipo de pesquisa
que se pretende fazer e os pressupostos
teórico-metodológicos que se pretende utilizar,
estabelecendo o seu delineamento. É fundamental
que a revisão bibliográfica já esteja
concluída para que a abordagem metodológica
da pesquisa fique bem encaminhada.
Deve-se ligar o suporte teórico-metodológico
às técnicas que permitam a coleta de informações
e a sua análise. Além disso, é necessário
indicar as fontes primárias (população,
amostra, corpus, etc.), ou seja, onde são coletados
os dados e quais os instrumentos a
ser utilizados na busca e na análise dos mesmos.
Questionários, roteiros para entrevistas
e para observações, ainda que preliminares,
devem ser anexados ao projeto.
19
Levantamento e
revisão da
bibliografia
Elaboração dos
instrumentos de
pesquisa
Coleta de
dados
Análise e
discussão dos
dados
Redação do
relatório
Redação final
Ano Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
3.10 Cronograma
Delineia a seqüência da investigação,
mostrando procedimentos e períodos de execução,
conforme o modelo abaixo.
3.11 Orçamento
O orçamento é a relação dos recursos
técnicos, materiais e humanos, bem como dos
serviços necessários à pesquisa. Os recursos
materiais devem ser apresentados em três categorias:
materiais permanentes; materiais de
20
consumo e serviços. São materiais permanentes:
livros, máquina fotográfica e gravadores,
utensílios de desenho, softwares, equipamentos
de informática, etc. Materiais de consumo:
papéis necessários para impressões, cartuchos
de tinta para impressora, filmes fotográficos,
pastas, arquivos, canetas, etc. Serviços: cópias,
encadernações, impressos gráficos, despesas
de locomoção e estadia, etc.
Os recursos humanos também devem
ser listados: número de integrantes, número
de horas dedicado à pesquisa, passando por
outros serviços que, porventura, sejam necessários
(tradução, digitação, consultoria de profissionais
de áreas diversas, etc.).
3.12 Referências bibliográficas
São as referências citadas no texto do
projeto. As regras segundo as quais as obras
são referenciadas obedecem à orientação da
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
– e constam no Manual de Normalização
do UniRitter.
21
3.13 Bibliografia consultada
Lista de fontes bibliográficas que inspiram
a proposta de pesquisa e que poderão ser
usadas no desenvolvimento da mesma.
22
23
4 BIBLIOGRAFIA COMENTADA
CAMPELLO, Bernardete Santos; CEDÓN, Beatriz
Valadares; KREMER, Jeanette Marguerite.
Fontes de Informação para Pesquisadores
e Profissionais. Belo Horizonte: Ed UFMG,
2000.
É uma obra de cunho técnico e com informações bastante
importantes sobre pesquisa, bibliografia especializada
e leitura científica. É recomendada para pesquisadores
mais experientes e no final do livro há uma
importante e útil relação de sites de pesquisa de instituições
especializadas no mundo inteiro.
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino.
Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, 1996.
Apresenta as noções fundamentais para a elaboração
de projetos de pesquisa, numa visão simplificada
e prática. Livro bastante usado na graduação pela sua
condição simples de apontar os elementos essenciais
da estrutura da pesquisa.
ECO, Humberto. Como se faz uma Tese. São
Paulo: Perspectiva, 1988.
Obra clássica da metodologia para a elaboração de
trabalhos de pesquisa, monografias, dissertações, teses
e projetos bibliográficos ou outros da mesma natureza.
Leitura indispensável para quem quer aprofundar-
se no conhecimento científico.
24
EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. 15.
ed. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1981.
Aponta a sua concepção teórica acerca de vários temas
fundamentais do conhecimento científico. Abre
os horizontes da concepção da própria pesquisa e da
construção do conhecimento.
FREIRE-MAIA, Newton. A ciência por dentro.
Petrópolis: Vozes, 1991.
Obra de muita importância, pois discute as diferentes
concepções do que significa ciência. Apresenta a estrutura
do conhecimento científico e suas mais diversas
concepções.
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa
moderna. 14. ed. Rio de Janeiro : Fundação
Getúlio Vargas, 1989.
Mais um clássico para quem tem necessidade de compreender
os próprios mistérios da escrita. Não se constrói
nenhum projeto de pesquisa sem noções fundamentais
de uma boa escrita.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos
de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 1987.
Talvez seja uma das obras nacionais mais simples e
completa sobre a elaboração de projetos de pesquisa.
Por suas múltiplas edições percebe-se a sua aplicabilidade
e importância na elaboração dos projetos de
pesquisa.
25
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de
Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1987.
Apresenta métodos e técnicas de construção de pesquisas
na área do conhecimento social. É preciso identificar
as principais metodologias de estudo para a
compreensão da realidade em que nos encontramos
inseridos, a fim de realizar uma leitura mais próxima
de nossa percepção.
HÜHNE, Leda Miranda (org.). Metodologia Científica.
6. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995.
Outra obra nacional de importância por sua simplicidade
e a utilização de pequenos textos clássicos para
exemplificar suas idéias. Apresenta os diferentes níveis
de conhecimento, omitindo alguns deles.
JOHANN, Jorge Renato (coord.). Introdução ao
Método Científico: conteúdo e forma do conhecimento.
Canoas: ULBRA, 2002.
A obra apresenta os diferentes níveis de conhecimento
humano, a estrutura básica do projeto de pesquisa
e as Normas Técnicas da ABNT.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia
Cientifica. 3. ed. Caxias do Sul/Porto
Alegre: UCS/EST, 1979.
Professor da Universidade de Caxias do Sul e estudioso
dos princípios do conhecimento científico, desenvolve
com sabedoria todos os passos fundamentais do
conhecimento científico, do projeto e de elementos teóricos
da pesquisa.
26
LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de
Andrade. Fundamentos de metodologia científica.
3. ed. São Paulo: Atlas, 1995.
É difícil algum aluno de graduação, nas diversas áreas
do saber, não ter estudado Lakatos e Marconi. Portanto,
trata-se de uma obra básica da literatura sobre
a pesquisa no Brasil.
LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de
Andrade. Metodologia Científica. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 1992.
Dentro da abordagem dos clássicos, esta obra apresenta,
de forma bem completa, a estrutura possível
de uma investigação e seus principais pressupostos.
LEITE, Eduardo de Oliveira. A monografia jurídica.
Porto Alegre: Fabris, 2003.
Embora restrita à área jurídica, deve-se ressaltar a
importância desta obra por ser atenta e esclarecedora
quanto às minúcias operacionais. O autor preocupou-
se com detalhes como notas de rodapé e citações
variadas. Os exemplos colocados na obra e o rigor servem
para todas as áreas e níveis de conhecimentos.
LUCKESI, Cipriano et al. Fazer universidade:
uma proposta metodológica. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 1989.
Produz uma abordagem um pouco mais ampla da universidade
e da pesquisa, principalmente através de
dois artigos importantes: um filosófico e outro científico
sobre a construção do conhecimento.
27
POPPER, Karl R. Em busca de um mundo
melhor. 2. ed. Lisboa: Fragmentos, 1989.
Autor contestado por suas idéias ao longo do tempo,
mas que nesta obra faz uma revisão fundamental
de suas crenças e da concepção do próprio conhecimento.
Leitura indispensável.
REINEHR, Hilda Maria Fiúza Abras (Coord.).
Normalização do Trabalho Acadêmico. Porto
Alegre: Ritter dos Reis, 2002.
Manual para a elaboração do trabalho científico
contendo as normas da ABNT, com exemplificação
de usos. A obra é adotada pelo Centro Universitário
como padrão orientador da produção
científica.
RUDIO, Frantz Victor. Introdução ao projeto
de pesquisa científica. 19. ed. Petrópolis: Vozes,
1995.
A percepção de Rúdio sobre a pesquisa é semelhante
a Lakatos, Cervo e Bervian e tantos outros que retratam
concepções fundamentais do conhecimento
científico (ver p. 23 e 26).
SEVERINO, Antônio Joaquim. 14. ed. Metodologia
do trabalho científico. São Paulo: Cortez,
1986.
Outra obra que poderá subsidiar os alunos na confecção
de seus trabalhos dentro de uma visão mais
simplificada do conhecimento científico.
28
SIERRA BRAVO, Restituto. Tesis doctórales
y trabajos de investigación científica. 2. ed.
Madrid: Paraninfo, 1988.
Esta é uma obra clássica da metodologia científica.
Fundamental para os alunos que buscam profundidade
e abrangência em seus estudos. Não temos ainda
a versão para a língua portuguesa.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-
Ação. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1988.
Dentro das diferentes tipologias de pesquisa, encontra-
se a pesquisa-ação. A melhor abordagem sobre esta
temática, sem dúvida, encontra-se nesta obra.
THUMS, Jorge. Acesso à Realidade. Porto Alegre/
Canoas: Sulina/ULBRA, 2000.
Apresenta uma discussão sobre a Formação da Consciência
Crítica, os Pressupostos do Conhecimento Científico,
a importância do ato de ler e de estudar, a
construção de Projetos de Pesquisa, Estágios e Relatórios,
bem como a formatação de textos através do
editor Word dentro das Normas da ABNT.
TRIVIÑOS, A. N. Introdução à Pesquisa nas
Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 1987.
A obra do professor Triviños é conhecida de todos
os pesquisadores no Rio Grande do Sul e pelo resto
do país. Auxiliou muitos estudantes com suas idéias
e prática de construção do conhecimento. Obra
de muita importância na estruturação teórica das
investigações.
29
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca
Central. Normas para apresentação
de trabalhos: Livros e Folhetos. 4. ed. Curitiba:
Editora da UFPR, 1994, v. 1-8.
São oito volumes de aplicabilidade das Normas Técnicas
da ABNT. Quem gosta de estrutura e normas deve
adquirir este material.
30
31
REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS
MINAYO, Maria C. de S. Pesquisa Social: teoria,
método e criatividade. 3ª Ed. Petrópolis:
Vozes, 1994, p. 17.
REINEHR, Hilda Maria Fiúza Abras (Coord.)
Normalização do Trabalho Acadêmico. Porto
Alegre: Ritter dos Reis, 2002.
THUMS, Jorge. Acesso à Realidade. Porto Alegre/
Canoas: Sulina/ULBRA, 2000.
Roteiro de Plano de Atividades para Bolsistas de Iniciação Científica
- Para plano vinculado a projetos de pesquisa docente -
1 Título do Projeto
2 Linha de Pesquisa
3 Professor responsável
4 Resumo
5 Objetivos do Projeto de Pesquisa Docente
6 Atividades dos Bolsista
7 Metodologia para o desenvolvimento das atividades
8 Cronograma
9 Data e assinatura do(s) Bolsista(s) e do Professor Orientador
Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão
Programa Institucional de Pesquisa
Programa Institucional de Iniciação Científica
ANEXO A
Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão
Programa Institucional de Pesquisa
Programa Institucional de Iniciação Científica
Roteiro para o relatório de atividades de bolsista de iniciação científica
1 Dados de Identificação
Do Professor Pesquisador ou Professor Tutor
a. Nome:
b. Título do Projeto Docente (se for o caso):
c. Linha de Pesquisa:
Do Bolsista:
a. Nome:
b. Curso:
c. Período de vigência da bolsa
2 Resumo
3 Introdução
4 Objetivos atingidos e não atingidos
5 Metodologia
6 Resultados obtidos, considerando o Plano de Atividades
7 Conclusões a partir do conhecimento obtido e do desempenho no Projeto
8 Referências bibliográficas (bibliografia utilizada e citada no relatório)
9 Anexos
10Assinaturas do Bolsista
11Parecer do Bolsista pelo Orientador