quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ANALISE DO DISCURSO

I SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DE DISCURSO:
"Análise de Discurso e Michel Pêcheux – uma relação de nunca acabar"
UFRGS – Porto Alegre – 10 a 13 de novembro de 2003
APRESENTAÇÃO
Desejar, conceber e organizar este 1. Seminário de Estudos em Análise e Discurso (I SEAD), aqui em Porto Alegre, envolveu um grupo de analistas de discurso, entre professores e alunos, em torno de um projeto, não só de pesquisa, mas também de vida, de militância e de resistência teórica e política. E Michel Pêcheux é o nome que está no centro de toda essa preparação, determinando-a e impulsionando-a. Precisamente 20 anos após seu desaparecimento, Michel Pêcheux continua, aqui no Brasil, e para muitos de nós, cada vez mais presente, seu nome cada vez mais citado e sua teoria cada vez mais influente, refletindo e ressoando os constantes embates materializados pela relação entre a língua, a história e o sujeito. Isso ajuda a explicar o nome de nosso seminário: entre Pêcheux e a AD há uma relação de nunca acabar .
Nossa aspiração foi fazer desse I Seminário (o I SEAD), uma grande celebração em torno do fundador e principal formulador da análise do discurso da escola francesa. De certa forma, preparamos uma festa em torno de nosso homenageado, cujo pensamento foi e continua sendo decisivo para nossas vidas – do ponto de vista acadêmico, científico, mas também pessoal, pois sabemos quão
difícil e ilusório é tentar separar vida e trabalho, assim como na AD não há separação entre teoria e prática. Nós, que fazemos parte do grupo de estudos sobre discurso desta Universidade, deste Instituto e deste Programa de Pós-Graduação, queremos prestar um tributo a Michel, como seus amigos o chamavam, a Pêcheux, como o tratamos na estranha intimidade que se construiu em torno do homem, do filósofo, do intelectual e do militante de esquerda e político marxista.
O que nos moveu a realizar esse seminário foi um irrefreável desejo, uma invencível paixão e a uma grande aposta numa causa. Certamente sem esses postulados, sem esses fincados e fortes alicerces não teríamos logrado êxito nessa realização. Sabíamos que enfrentaríamos dificuldades de toda ordem, afinal vivemos e conhecemos muito bem o funcionamento das instituições públicas em nosso país e o tratamento que os diferentes governos que se sucedem costumam dar às coisas que se referem à educação superior brasileira. Mesmo assim, fomos surpreendidos e golpeados em nosso entusiasmo com duas grandes negativas de apoio: CAPES e CNPq negaram qualquer auxílio ao evento, sob alegações parecidas: "o encontro é digno de mérito mas..." e as reticências podem ser preenchidas por vários sentidos, que passam pelo teórico, pelo político e pelo pessoal. Se trazemos esse fato a público é como forma de denúncia à política que preside aos comitês de nossas principais agências de fomento e um apelo para que nossas associações, como Anpoll, Abralin, e nossos PPGs façam ecoar alto suas vigilantes e destemidas vozes. Nunca, porém, passou por nossa idéia desistir desse encontro; nós, membros da comissão
organizadora, Freda Indursky, Evandra Grigoletto, Heloisa Rosário, Noeli Lisboa e eu, tínhamos convicção que ele se realizaria e seria um sucesso, pois desde seu lançamento, as manifestações de adesão foram muitas e entusiastas; a cada inscrição, vinda muitas vezes de cidades e de grupos que nem conhecíamos, nosso ânimo se fortalecia. Se tantas pessoas anônimas, se tantos pesquisadores renomados, aqui queriam estar, assumindo todos os custos, é porque algo mais forte e de valor inestimável haveria de prevalecer.
Mas assim como tivemos surpresas negativas, tivemos também uma surpresa positiva vinda da nossa Fundação de Apoio à Pesquisa – a FAPERGS- dela não ganhamos tudo o que havíamos solicitado, mas ganhamos o suficiente para assegurar a passagem de um dos nossos convidados franceses (demorou o auxílio, chegou há poucos dias do início do evento, mas veio, e foi decisivo para manter intacta a proposta original da programação) e também confeccionar o presente CDROM.
Outra ajuda decisiva veio da Unicamp, do IEL, de seu PPG em Lingüística, na pessoa de sua coordenadora, profa.Mónica Zoppi Fontana e do prof. Eduardo Guimarães, dois grandes apoiadores que viabilizaram com essa parceria a vinda de outro convidado da França. Da nossa instituição – a UFRGS, de nossa Pró-Reitoria de Pesquisa, de nossa Unidade – o IL, de nosso Pós-Graduação, só temos agradecimentos a fazer, pela parceria, pela ajuda, pela adesão ilimitada, dentro das limitadas verbas de que dispõem. Tivemos ainda a parceria importante do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, na pessoa de seu diretor, prof. José Vicente Tavares dos Santos, garantindo a passagem de uma de nossas conferencistas.
Uma palavra ainda de agradecimento aos nossos patrocinadores – Livrarias da UFRGS, Ensaio, Sagra-Luzatto, Bamboletras; à Nestlé, com sua maravilhosa máquina ( e não é a do discurso), à água mineral natural ELAN, ao Banco Santander e ao Banco do Brasil. Certamente sem eles, muito do brilho e do sucesso do encontro não teria sido alcançado.
Por fim, numa saudação afetuosa a todos os participantes desse I SEAD ( primeiro de uma série, esperamos), permito-me um toque mais pessoal: ao ler pela primeira vez um verso de um poeta nosso – o grande Manoel de Barros – como epígrafe num trabalho de uma orientanda – lembrei-me automaticamente de Michel Pêcheux e acho que vocês aqui vão compreender por quê – o verso dizia assim – "tem mais presença em mim, o que me falta" .
Que a presença de Pêcheux entre nós ( e a sua falta) continue sempre forte, pulsante, vibrátil, entre nós, como uma relação de nunca acabar...
Maria Cristina Leandro Ferreira – Coordenadora geral do evento

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